O leão, o lobo e a raposa

W. Aractingy

Por Christiane Angelotti
(adaptação da fábula de Jean de La Fontaine)

O rei leão já velho e cansado estava doente em sua caverna, mas ainda cheio de esperança em se recuperar ordenou que todos os animais da floresta visitassem-no e ensinassem receitas de remédios que pudessem curá-lo.

E assim foi feito. Os animais visitaram o soberano da floresta, cada qual com uma receita de remédio caseiro. Porém, passaram-se dias, semanas, entrava animal, saía animal, e nada da raposa aparecer.


O rei leão, muito intrigado, perguntou ao lobo por que a raposa não aparecia. Mas foi perguntar justo para o lobo! Inimigo declarado da raposa!


O lobo querendo provocar discórdia disparou:


— Vossa Majestade, por causa da doença não consegue perceber, a raposa não apareceu porque é uma falsa! Não acredita em vossa recuperação e seria perda de tempo bajular um rei condenado. Creio que animais assim devam ser condenados à morte por desrespeito ao nosso monarca! – finalizou aos gritos.


O rei muito enfurecido soltou um rugido fraco, devido ao seu estado de saúde, porém cheio de ira.


Neste instante, a raposa entrou correndo na caverna e pediu a palavra.


— Vossa Majestade, ainda bem que escutei tal calúnia. Enquanto todos tentavam ajudar nosso rei e o lobo se preocupava em me prejudicar, eu estava pesquisando o motivo de sua doença. E descobri, Vossa Excelência!


— E qual é o remédio? – indagou o rei ainda aborrecido.


— Vossa Majestade necessita aquecer seu corpo em um belo casaco feito com pele de lobo! Só assim as dores passarão. Acredito que o lobo tão bondoso não se incomodará em dar a sua vida para salvar o nosso rei.


E assim o lobo foi condenado à morte e o leão sobreviveu, por sorte!


A raposa retirou-se da caverna feliz e aliviada.


— Quis fazer uma intriga, pois bem, o feitiço virou contra o feiticeiro! – pensou.


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