A menina do leite

Por Christiane Angelotti
(adaptação da fábula de Esopo)

A menina era só alegria.

Era a primeira vez que iria à cidade vender o leite de sua querida vaquinha.


Colocou sua melhor roupa, um belo vestido vermelho de bolinhas brancas, e partiu pela estrada com uma lata de leite na cabeça.


A lata era grande e pesada, mas o entusiasmo da menina era ainda maior.


Ao caminhar, o leite chacoalhava dentro da lata. Do mesmo modo, os pensamentos da menina também chacoalhavam dentro dela, indo e vindo.


“Vou vender o leite e comprar ovos, uma dúzia” – pensou –, “depois coloco os ovos para chocar e terei uma dúzia de pintinhos”.


Seus pensamentos não paravam. Continuou fazendo planos.


“E quando os pintinhos crescerem, terei bonitos galos e galinhas. Então, venderei os galos e criarei as galinhas, que são ótimas para botar ovos. Coloco para chocar os ovos e terei mais galos e galinhas. E assim venderei tudo e comprarei uma cabrita e algumas porcas. Se cada porca me der três leitõezinhos, vendo dois, fico com um e...”


A menina estava tão distraída em seus pensamentos que tropeçou numa pedra, perdeu o equilíbrio e levou um tombo.


E lá se foi o leite branquinho pelo chão.


E os ovos, os pintinhos, os galos, as galinhas, os cabritos, as porcas e os leitõezinhos pelos ares.


Moral da história:  Não se deve contar com uma coisa antes de consegui-la.


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