A festa no céu

Por Christiane Angelotti
(adaptação de conto do folclore brasileiro)

Entre os bichos da floresta, espalhou-se a notícia de que haveria uma festa no céu. Porém, só foram convidados os animais que voam. As aves ficaram animadíssimas com a notícia e começaram a falar da festa por todos os cantos da floresta. Aproveitavam para provocar inveja nos outros animais que não podiam voar.

Contudo, um sapo muito malandro, que vivia no brejo, bem lá no meio da floresta, ficou com muita vontade de participar do evento. Resolveu que iria de qualquer jeito e saiu espalhando para todos, que também havia sido convidado.

Os animais que ouviam o sapo contar vantagem, que também havia sido convidado para a festa no céu, riam dele. Imaginem um sapo, pesadão, que não aguentava nem correr, quanto mais voar até a tal festa! Impossível! Durante muitos dias, o pobre sapinho, virou motivo de gozação em toda a floresta.

— Tira essa ideia da cabeça, amigo sapo! – dizia o esquilo, descendo da árvore. – Bichos como nós, que não voam não temos a mínima chance de aparecer na Festa no Céu.

— Fale por você! Eu vou sim. – dizia o sapo muito esperançoso. – Ainda não sei como, mas irei. Não é justo fazerem uma festa dessas e excluírem a maioria dos animais.

Depois de muito pensar, o sapo formulou um plano. Horas antes da festa, procurou o urubu. Conversaram muito, e se divertiram com as piadas que o sapo contava. Já era quase noite, o sapo se despediu do amigo.

— Bom, meu caro urubu, vou indo para o meu descanso, afinal, mais tarde preciso estar bem disposto e animado para curtir a festa.

— Você vai mesmo, amigo sapo? – perguntou o urubu, meio desconfiado.

— Claro, não perderia essa festa por nada. – disse o sapo já em retirada. – Até amanhã!

Porém, em vez de sair, o sapo deu uma volta, pulou a janela da casa do urubu e vendo a viola dele em cima da cama, resolveu esconder-se dentro dela.

Chegada a hora da festa, o urubu pegou a sua viola, amarrou-a em seu pescoço e voou em direção ao céu.

Ao chegar ao céu, o urubu deixou sua viola num canto e foi procurar as outras aves. O sapo aproveitou o momento para espiar e, vendo que estava sozinho, deu um pulo saltando para fora da viola, todo contente.

As aves ficaram muito surpresas ao verem o sapo dançando e pulando no céu. Todos queriam saber como ele havia chegado lá, mas o sapo esquivando-se mudava de conversa e ia se divertir.

Estava quase amanhecendo, quando o sapo resolveu que era hora de se preparar para a "carona" com o urubu. Saiu sem que ninguém percebesse, e entrou na viola do urubu, que estava encostada em um cantinho do salão.

O sol já estava surgindo, quando a festa acabou e os convidados foram voando, cada um para o seu destino.

O urubu pegou a sua viola e voou em direção à floresta.

Voava tranquilo, quando no meio do caminho sentiu algo se mexer dentro do viola. Espiou dentro do instrumento e avistou o sapo dormindo, todo encolhido, parecendo uma bola.

— Ah! Que sapo folgado! Foi assim que você foi à festa no céu? Sem pedir, sem avisar e ainda me fez de bobo!

E lá do alto, ele virou sua viola até que o sapo despencou direto para o chão.

A queda foi impressionante. O sapo caiu em cima das pedras, no leito de um rio, e mais impressionante ainda foi que ele não morreu.

Dizem que um anjo viu o que aconteceu e salvou o bichinho. Mas nas suas costas ficou a marca da queda; uma porção de remendos.  Dizem que é por isso que os sapos possuem uns desenhos estranhos nas costas, uma lembrança da tal festa no céu. 

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