A cigarra e a formiga

Por Christiane Angelotti
(adaptação da obra de La Fontaine)

Em um lindo bosque, verdinho e cheio de insetos, vivia a cigarra, sempre muito feliz, pois tinha um talento incrível para a música. Ela vivia a saltitar e cantar. Ao seu redor muitos insetos se agrupavam para ouvir suas belas canções.

Quando tinha fome, com sua carinha de pidona, batia na porta de conhecidos e pedia algum alimento. Durante boa parte do ano se alimentava sem grandes dificuldades, pois o bosque era repleto de frutas e folhas fresquinhas.

Porém, com o inverno quase batendo à porta, todos os insetos se punham a trabalhar para estocar alimentos, reforçar suas casas e assim garantir que durante toda a estação o frio não os incomodasse tanto. Só dona cigarra que não se preocupava com isso. Achava que o seu talento lhe garantiria abrigo e coberta quentinha.

Esbarrando em uma pequena formiga, que carregava uma folha pesada, dona cigarra perguntou:

— Ei, formiguinha, para que todo esse trabalho?  Ainda está bem quente! É tempo de aproveitar!

— Não, não, não! Nós, formigas, não temos tempo para diversão. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o inverno.

Durante todo o verão e o outono, exatamente por duas estações, a cigarra continuou se divertindo e passeando pelo bosque. Ria de todos os insetos que trabalhavam pensando no inverno.

Ao encontrar novamente a formiguinha que carregava outra folha pesada a provocou:

— Formiga, formiguinha, que feliz sua vidinha! Nasceu para trabalhar!

A formiguinha, bastante triste, respondeu:

— Também gosto de cantar e dançar, mas há hora para tudo.

Certo dia, o inverno chegou, e a cigarra começou a tremer de frio. Sentia seu corpo gelado, tinha fome e não tinha o que comer. Nenhum amigo a quis receber, afinal era um inseto grande e comeria bastante. Desesperada, foi bater na casa da formiga.

Abrindo a porta, a formiga viu a cigarra quase morta de frio. Nem era mais verde, estava num tom mais para cinza. A pequena formiga puxou a cigarra para dentro de sua casa, agasalhou-a e deu-lhe uma sopa bem quente e deliciosa. A cigarra estava agradecida, pois a formiga havia salvado sua vida. Prometeu pagar essa dívida com moedinhas durante o verão.

A formiga, por sua vez, lhe respondeu:

— Nada disso! Quero que faça algo agora. Pague-me com a sua música, este é o seu trabalho.

E assim cigarra e formiga ficaram amigas e passaram um dos invernos mais felizes de suas vidas.

Proibida a reprodução do texto acima sem a autorização prévia da autora.


Indicamos também o a animação A Cigarra e a Formiga feita pelos estúdios Disney.