domingo, 22 de março de 2020

SARS Cov 2 - o vírus da COVID-19


Por Vinicius Signorelli*



Os vírus do tipo corona têm esse nome inspirado nas imagens obtidas em microscópios eletrônicos. Corona tem a ver com coroa, como aparece nas imagens.



São conhecidos muitos vírus diferentes de formato corona, que têm aparência externa parecida entre eles e o RNA (material genético) com várias coisas em comum, porém, diferentes o suficiente para não infectar humanos, por exemplo. Existem vírus corona que fazem gatos adoecerem e outros que adoecem os cães. Diferenças genéticas entre eles fazem com que vacinas de gatos só funcionem para gatos e de cães para cães.

Em 2002, em uma localidade litorânea chinesa, Guangdong, que fica a cerca de 100 km de Hong Kong, teve início um surto de insuficiência respiratória aguda grave, a SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome). Em 2003, depois de um grande susto, pelo caráter mortal da síndrome, muitas pesquisas foram realizadas. Essas pesquisas logo revelaram que o vírus havia provavelmente atravessado a barreira entre espécies (passar de um animal para o ser humano) devido ao costume dessas populações de comer animais caçados. Pequenos mamíferos, como a civeta-da-palmeira-asiática, por exemplo.

Lá, é cultura antiga caçar e comer pequenos animais. Apesar da proibição da caça, o hábito permanece, clandestinamente, em alguns locais. Em 2005, pesquisadores mostraram que existem morcegos que vivem na China que são hospedeiros de vírus do tipo corona. Investigações filogenéticas posteriores mostraram que esses vírus são muito provavelmente os precursores do vírus SARS Cov.

O salto entre espécies, de um animal para um ser humano, pode ter ocorrido pelas ingestão de carne de morcegos diretamente, ou pelo consumo da carne de algum animal anteriormente infectado por morcegos.

A ideia de que esse evento, atravessar a barreira entre espécies, poderia se repetir foi abordada em artigo científico em 2007. Nós já temos muitas experiências com vírus que provocam alterações em nosso sistema respiratório. Em 1919, logo após o final da 1ª Guerra Mundial (1914 - 1918), a Gripe Espanhola espalhou-se pelo mundo todo, levada, entre outros viajantes, pelos soldados que voltavam para casa. Essa gripe foi verdadeiramente catastrófica e matou milhões de pessoas em todo mundo.

O novo coronavírus, o SARS Cov 2, causou as primeiras infecções em humanos em Wuhan, na China central, uma cidade com cerca de 12 milhões de habitantes, cercada por uma grande região metropolitana, com mais de 20 milhões.

Devido aos estudos epidemiológicos com várias simulações feitas a partir de modelos computacionais, já havia entre especialistas chineses e autoridades a certeza da necessidade de evitar o contágio para que a epidemia não afetasse um número muito
grande de pessoas.

A região de Wuahn foi totalmente fechada (locdown) no dia 23 de janeiro de 2020, dia em que foram registrados 260 casos de Covid-19, 20 dias após o início da epidemia. Com isso, eles chegaram a 80 mil casos, mais de 3 mil mortos e, desde 19 de março, começaram os primeiros dias sem novos casos.

Em 22 de março, os dados oficiais (às 7h40 da manhã) no Brasil falam em 1.197 casos confirmados. O grande problema dessa doença, a Covid-19, é o tempo que uma pessoa já infectada pode transmitir a doença sem saber.

O vírus Ebola provoca reações horríveis no organismo infectado e cerca de 40% dessas pessoas morrem. No entanto, alguém que pega a infecção só se torna transmissora quando aparecem feridas na pele. É uma marca muito clara para isolar a pessoa e evitar que a epidemia afete a muitos, ou se desloque para outras regiões e continentes.

Já uma pessoa que contrai a infecção viral Covid-19 pode ficar, de acordo com os estudos atuais, até duas semanas transmitindo a doença sem apresentar um sintoma que indicasse que ela está doente. É por isso que esse vírus se espalha tão rapidamente, atingindo tantas pessoas.

Pode-se prever, só para ter uma ideia, uma aproximação, e para que todos tenham noção do que está para vir, os seguintes números:
Cidade de São Paulo: 10 milhões de habitantes.
Cerca de 80% serão infectados: 8 milhões.
Destes 8 milhões, vamos imaginar que 1% (só?) vá precisar de hospitais: 80 mil pessoas, só na capital.
Vamos dizer ainda de desses 80 mil, apenas 5% vão precisar de UTI: 4 mil pessoas. Só considerando a cidade de São Paulo e arredondando tudo para menos.
O estado de São Paulo tem 44 milhões de habitantes!
Para ter noção da situação real.
Número de leitos de UTI NO PAÍS: 40 mil, desses, 18 mil no SUS.

Temos que tomar todas as providências para desacelerar o processo de transmissão do vírus entre as pessoas. Por isso, o isolamento social é a solução. Precisamos fazer com que essa porcentagem de 80% de infectados demore o máximo possível para acontecer. Dessa forma, podemos evitar um gigantesco número de pessoas precisando de cuidados médicos em um intervalo de tempo de apenas alguns dias.

É a vida nos mostrando que não podemos ter as ideias estacionadas por esquemas de pensamento rígidos e que não dão conta da realidade atual. Precisamos de muito mais humildade para podermos aprender uns com os outros e reconhecermos o quanto somos interdependentes. As melhores atitudes são buscar informação confirmada e a cooperação.

Hoje, vivemos dias em que não vamos visitar os mais velhos porque os amamos. Percebe, como, de repente, é preciso mudar pensamentos antigos?

Nota final: esta pequena contribuição surgiu a partir dos vídeos do estudioso de vírus e epidemias Atila Iamarino.
Se você quiser acesso à bibliografia na qual as informações aqui veiculadas se encontram, consulte:
https://www.reddit.com/r/coronabr/.


 Vinicius Signorelli é professor de física e ciências da natureza e editor científico na ZOOM Education for Life