quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Dia das Crianças e o prazer de brincar

 Por Christiane Angelotti

Chegou mais um Dia das Crianças. Lembro de, quando pequena, ficar ansiosa pela data. Era um dia em que não haveria aula e eu poderia brincar o dia inteiro, se caísse em uma sexta-feira ou segunda, então... era a glória! Esse era o meu conceito de dia especial, muita brincadeira.

O tempo passou (e rápido), e dos anos de 1980 para cá, a criança passou a ter um papel de consumo na sociedade. Foi exatamente a partir desta década que a criança passou a ser vista como uma consumidora em potencial e, sendo assim, passou a ser alvo de uma enxurrada de propagandas e de apelos para o consumo desenfreado. Consumir é uma necessidade na nossa sociedade, mas o consumismo, o exagero, a felicidade colocada em se ter algo, é um desvio e sem que percebamos somos induzidos o tempo inteiro para isso.

Na minha infância, no final dos anos de 1980, minha alegria era brincar na rua com os amigos, ou simplesmente ficar em casa com os meus irmãos. Alguns dos meus dias das crianças, ou férias, feriados, dias de chuva, não importava muito a data, eram vividos exatamente assim: eu e os meus irmãos em casa brincando o dia inteiro. E nesses dias especiais, por exemplo, nos era permitido deixar a brincadeira "montada" o tempo inteiro, pois iríamos continuar depois de uma refeição, do banho... logo, não era necessário guardar tudo. 

Nós assistíamos à televisão, mas era pouco, quase nada comparado com as crianças de hoje em dia. Não havia tanta programação para criança e a TV não ficava ligada enquanto estávamos brincando. Brincar como se não tivesse hora para acabar era o nosso presente.

Viajei nas minhas lembranças para compartilhar com você, leitor, a minha questão: o que será realmente importante para as nossas crianças no Dia das Crianças? Talvez seja a mesma coisa que era para nós quando pequenos. Para a criança que fui era brincar, sem dúvidas! E acho que para todas as crianças. Brincando, a criança se sente feliz, aprende, usa a imaginação e cria, se coloca no lugar do outro, entre tantas outras coisas. Quer presente mais completo?

Hoje penso que os momentos de brincadeira com os pais, tios, avós também são um grande presente. Uma horinha que passamos naquele mundo da brincadeira nos aproxima delas e nos faz bem. São momentos em que ajudamos a solucionar alguma questão que surge durante o brincar, ajudamos a passar conceitos como saber perder em um jogo,  a igualdade de gêneros (ser menino ou menina nos dá os mesmos direitos), entre tantas outras coisas. São momentos em que também exercitamos a imaginação.

Então, acho que se pensarmos bem em nós quando crianças, já teremos muitas respostas do que realmente importa para uma criança em qualquer data. Se for para dar algo além do tempo disponível para que ela brinque, dê atenção, estimule a imaginação dela criando algo junto, leve-a para passear e ter contato com a natureza e com outras crianças.

 A propósito, hoje será dia de fazer massinha caseira com a minha filha.