segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A importância do brincar

Por Christiane Angelotti

Brincar é a principal atividade da infância e faz parte de ser criança. Quando bebê é por meio da brincadeira que se explora o mundo ao seu redor, mundo este que ele passa a reconhecer e assimilar seu funcionamento.

Brincando a criança exercita também aspectos motores e sensoriais, desenvolvendo assim coordenação, noções espaciais e sociais. Todo este processo ajuda ainda o cérebro a desenvolver várias funções como falar e andar.  

Por se tratar de atividade e necessidade de grande importância para o desenvolvimento infantil, a brincadeira é considerada um direito da criança.  O direito a brincar está definido no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Marco Legal da Primeira Infância. Toda criança deve ter tempo livre para brincar garantido pelo Estado.


Brincar para a criança é algo natural que se desenvolve conforme ela cresce. Os tipos de brincadeiras e as formas de brincar se modificam de acordo com a etapa de desenvolvimento que a criança apresenta. E para isso acontecer é necessário que ela tenha a experiência de brincar. 

Para a brincadeira espontânea, aquela em que a criança explora, exercita e apreende conhecimento, mais praticada nas etapas iniciais da infância, não há necessidade de objeto-brinquedo. A criança é capaz de transformar tudo em brinquedo. O importante é que o adulto propicie tempo, espaço e objetos que não possam oferecer perigo. Além disso, ter adultos que estimulem essa brincadeira exploratória é de grande importância. 

É no ato de brincar que a criança exercita e organiza o pensamento, a noção de individualidade, a linguagem, a necessidade de perseverar, desenvolve a imaginação, entre outros aprendizados. Na brincadeira, a criança exprime seus medos, desejos e experiências. De forma simbólica, o brincar torna-se um meio de expressão. Podemos dizer que todo o aprendizado da criança passa pelo ato de brincar e que a ela aprende o tempo inteiro em que interage com o ambiente.

Para o bebê, a brincadeira é uma forma de interação do adulto com ele. O bebê sozinho ainda não é capaz de simbolizar e usar a brincadeira para isso. Logo, o brincar inicial do bebê é uma experimentação do mundo, ele manuseia objetos, joga, bate, empilha, explora o mundo de forma ainda primária condizente com a sua fase, denominada pelos especialistas de fase sensório-motora (etapa inicial do desenvolvimento cognitivo corresponde a aproximadamente os dois primeiros anos de vida).

Quando a criança começa a simbolizar, fase da brincadeira simbólica, construída gradativamente, propicia que a linguagem evolua com mais rapidez. Desta forma, a linguagem influencia na evolução da brincadeira e a brincadeira auxilia na evolução da linguagem.

Por todos esses motivos, e são realmente muitos, a brincadeira é fundamental para o desenvolvimento integral de todas as crianças. Por meio da brincadeira redes de neurônios se conectam aprimorando a capacidade cognitiva. Uma criança que não brinca, por causas que merecem investigação minuciosa, pode ter seu desenvolvimento comprometido.

Na dúvida de como lidar com alguma dificuldade em relação ao ato de brincar de uma criança (ou se ela não brinca), é importante que se procure um profissional capacitado, como um psicólogo ou um pedagogo, para uma orientação específica.