segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Xilogravura

Por Christiane Angelotti

Xilogravura é uma antiga técnica chinesa de imprimir imagens talhadas em madeira. O nome vem da junção de duas palavras gregas: xilon, que significa 'madeira', e grafo, que quer dizer 'gravar' ou 'escrever'. 

Xilogravura ou xilografia é a técnica de gravura na qual a madeira é utilizada como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou outro suporte. O processo é parecido com um carimbo. O artista vai talhando na madeira para formar um desenho. Esse desenho precisa ficar em alto-relevo, assim, quando passar a tinta sobre ele e o pressionar contra o papel, a imagem ficará impressa.

O xilógrafo quando imagina sua xilogravura deve pensar que a imagem, ao ser impressa, fica ao contrário, como num espelho, o que exige uma habilidade especial para planejar a imagem na matriz.

O registro mais antigo de que se tem notícia da história da xilogravura é uma edição do livro de orações budista chamado Sutra do Diamante, que trazia um dos discursos do Buda, encontrado em uma caverna na região leste do Turquistão e impresso na China por Wang Chieh, por volta do ano 868.

 Em 1418, a técnica da xilogravura chegou à Europa pela Espanha. Naquele período a xilogravura era utilizada principalmente para a impressão de cartas de baralho, ilustrações para livros (as Iluminuras) e também para confeccionar documentos religiosos. Por influência do Japão chegaram à Europa as xilogravuras coloridas, o que ocasionou uma verdadeira revolução na técnica da xilogravura no século 19.

"Sutra do Diamante", xilogravura de oração budista impressa na China, 868.

No Brasil, a xilogravura chegou por influências dos colonizadores, principalmente os portugueses, e foi muito difundida entre a população graças à literatura de cordel. A xilogravura influenciou grandes artistas como Lasar Segall (1891 - 1957) e Oswaldo Goeldi (1896 - 1961).


Matriz para xilogravura, Biblioteca Nacional de Paris.

Através de pesquisas sobre o cordel feitas por folcloristas como Câmara Cascudo, a  xilogravura ganhou mais destaque no cenário cultural. Alguns xilogravuristas consagrados são Gilvan Samico, Carlos Scliar, J. Borges, José Lourenço, Mestre Dila e José Costa Leite, entre outros.  

Proibida a reprodução deste texto sem autorização prévia da autora. 

Fontes:
A casa da Xilogravura

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)
Xiloteca:

Projeto Goeldi

Centro de documentação e referência Goeldi

Enciclopédia Itaú Cultural

Lasar Segal